Sobre a autora Susana Cardoso Ferreira

Cresceu sem saber o que queria ser e, quando a obrigaram a escolher, decidiu-se pela Biologia, porque viu demasiados programas sobre vida selvagem protagonizados por biólogos destemidos. Não se arrepende nem nega que se divertiu quase tanto quanto eles, mas, depois de alguns anos como bolseira, percebeu que não estava para aí virada e arriscou mudar de rumo.
Durante oito anos deu aulas no 3º ciclo do ensino básico e, para seu grande espanto, adorou. Pelo caminho, especializou-se em Intervenção Psicoeducativa (Universidade da Corunha), e pós-graduou-se em Jogo e Desenvolvimento da Criança (Faculdade de Motricidade Humana da Universidade Técnica de Lisboa). Em 2009 aventurou-se na tradução de livros infantojuvenis e aguentou-se firme até aos dias de hoje.
As histórias foram estando sempre presentes, de uma maneira ou de outra, escondidas dentro de gavetas, dobradas em pedaços de papel, rabiscadas numa caligrafia ilegível em folhas de cadernos nunca terminados… O primeiro livro, Minas, o Lápis Professor (Plano Nacional de Leitura) viu a luz do dia em 2008; o segundo, Os Pés Mágicos de Jeremias, em 2010. Em 2014, venceu o Prémio Maria Rosa Colaço 2014, na modalidade juvenil, com as Viagens de Chapéu — As Invenções e Indecisões de Dona Amélia Longor, o seu terceiro livro.

Palavras da autora sobre o livro e o espectáculo

A Bartolina nasceu numa altura em que eu andava à procura de uma grande ideia para uma história, mas as «grandes ideias» têm o péssimo hábito de não aparecerem quando precisamos delas. Ao fim de alguns meses de frustração, uma das minhas alunas perguntou-me porque é que eu não escrevia simplesmente sobre uma coisa de que gostasse, mesmo que não fosse uma coisa importante. Nessa tarde, a caminho de casa lembrei-me de que sempre gostei de botões, especialmente dos que já alguma vez abotoaram: diverte-me imaginar por onde passaram, o que viram, que segredos ouviram. Talvez encontre neles uma boa história, pensei. Não era uma «grande ideia». Não era sobre uma «coisa importante». Mas cheguei à conclusão de que não valia menos por isso. Afinal, todas as histórias estão repletas de quem as conta e ganham vidas imprevisíveis em quem as lê ou escuta. Nunca se sabe o que pode vir a ser importante.
A cereja no topo do bolo foi o convite dos Valdevinos. Desde há muito que admiro a arte dos bonecreiros, por isso fiquei encantada quando a companhia me propôs transformar este texto numa peça de teatro de marionetas. As pessoas brincam comigo por eu falar das minhas personagens como se elas existissem. Pois bem, graças ao talento e à sensibilidade dos Valdevinos e da Ana Pacheco, cujas ilustrações inspiraram as marionetas, a Bartolina, o conde barão Gamaliel, a Violante e o mestre Amador têm corpo e voz. Ninguém pode negar que eles existem e que fizeram suas as minhas palavras. Mais, agora são protagonistas de um espetáculo a sério, como eles tanto sonharam!

Susana Cardoso Ferreira